Painel RM4Brands: O novo desafio das marcas é transformar Retail Media em inteligência de negócio

Por Retail Media News — Edição especial RM4Brands

O terceiro painel do RM4Brands, realizado pela ABRAMEDIA na FIA Business School, reuniu três executivos que representam o novo mindset de integração entre dados, performance e governança: Amanda de Oliveira (Hypera Pharma), Daniel Xavier (Kenvue) e Ivan Barbosa (Seara). Mediado por Ricardo Vieira (Abramedia) o painel abordou o tema “Processos e Métricas em Retail Media: o próximo passo da indústria”, mergulhando nas dores estruturais e metodológicas que ainda limitam o avanço do ecossistema brasileiro.

A dor da comparabilidade: o impasse entre métricas e gestão na evolução de Retail Media

O painel abriu com uma provocação direta:

“Não é mais sobre quem coordena. É sobre como mensuramos impacto real. Retail Media precisa ser avaliado com o mesmo rigor de qualquer outro canal de mídia.”

A constatação é clara: cada varejista mede resultados de forma distinta, criando um ambiente de difícil comparabilidade e aprendizado coletivo. Como destacou Amanda de Oliveira, da Hypera, “quando você recebe relatórios de múltiplas redes, percebe que a falta de padronização impede a leitura consolidada do funil. É um desafio técnico, mas também de governança”.

Daniel Xavier, da Kenvue, complementou o ponto sob a ótica da mensuração:

“A janela de atribuição pode mudar completamente a leitura de performance de uma campanha. Uma métrica de 7 dias versus 14 dias altera a percepção de ROAS, o que torna quase impossível construir benchmarks reais entre RMNs.”

Para Ivan Barbosa, da Seara, o impulso pela padronização precisa partir das CPGs e das entidades de classe, como a própria ABRAMEDIA:

“Se a indústria não liderar o processo, seguiremos reféns de relatórios isolados. É hora de criar uma régua comum para Retail Media, como já existe para mídia digital tradicional.”

A conclusão coletiva foi contundente:

“Sem padronização, não há comparabilidade. E sem comparabilidade, não há gestão — apenas experimentação dispendiosa.”

O papel dos processos e da inteligência: de dados à decisão estruturada

Mesmo com métricas fragmentadas, as marcas continuam acelerando seus investimentos em Retail Media. O debate avançou para a questão: o que falta nos processos internos para transformar operação em inteligência? Amanda de Oliveira apontou um dos gargalos centrais:

“Muitos processos ainda são manuais, desintegrados e dependem de trocas por planilhas. Isso impede a leitura em tempo real e a correlação entre mídia, audiência e sell-out.”

Daniel Xavier destacou que as integrações entre dados de mídia e sell-out ainda são parciais:

“Há avanços, mas o cruzamento pleno ainda é exceção. O desafio é construir pipelines de dados confiáveis, que sustentem aprendizado contínuo e automação de decisões.”

Na perspectiva de Ivan Barbosa, o avanço depende de estruturas de Growth com autonomia analítica:

“A maturidade só acontece quando Growth vira ponte entre marketing, dados e performance. Retail Media precisa se enxergar como um sistema integrado, nunca como um canal isolado.”

O consenso do painel foi que o desafio não é apenas tecnológico, mas cultural. Enquanto as áreas tratarem Retail Media como um silo de ativação, perderão o potencial de gerar inteligência de negócio e aprendizado cumulativo.

O caminho para a maturidade: padronizar para evoluir de forma mais consistente

Na reta final, Ricardo Vieira provocou os painelistas com a pergunta:

“O que seria um cenário de maturidade em Retail Media no Brasil?”

Ivan Barbosa foi direto ao ponto:

“É quando dados de mídia, audiência e sell-out passam a ser integrados em modelos de atribuição e não em relatórios. O futuro é sobre entender correlação e impacto incremental.”

Amanda de Oliveira reforçou que os varejistas precisam evoluir de executores para parceiros de aprendizado:

“A maturidade virá quando houver colaboração real, quando varejistas (RMNs) compartilhar dados, e as marcas devolverem inteligência para o ciclo de compra.”

Daniel Xavier destacou o papel dos benchmarks internacionais como referência para padronização:

“Mercados mais maduros já trabalham com modelos de mensuração comparável, dashboards unificados e janelas de atribuição flexíveis por tipo de campanha. O Brasil precisa caminhar nessa direção.”

A síntese do mediador, Ricardo Vieira, trouxe o tom provocativo que marcou o debate:

“O avanço do Retail Media no Brasil não será técnico, será metodológico.
As métricas são o novo campo de convergência. Quando indústria e varejo falarem a mesma língua de mensuração, o canal entrará no mapa real de mídia.”

O papel da governança e da liderança de Growth

O painel também destacou que a governança de Retail Media não é mais apenas função de marketing, mas agenda executiva de Growth. Ivan Barbosa destacou o papel transversal da área:

“Growth não é uma área, é um modelo mental que conecta investimento, performance e aprendizado contínuo, sempre com as necessidades do shopper no centro.”

Essa visão ecoou entre os painelistas, todos concordaram que o futuro do Retail Media passa por integração de áreas, padronização de métricas e autonomia analítica. Amanda e Daniel concordaram que a liderança em Retail Media passa a ser tanto técnica quanto cultural, unindo accountability, mensuração e gestão integrada de KPIs. Em síntese, Retail Media é governança antes de mídia.

Como resumiu Amanda de Oliveira:

“Retail Media só será estratégico quando virar assunto de board. E isso começa pela governança dos processos e pela mensuração consistente do impacto diretamente no negócio.”

Síntese final: o salto de método

O painel encerrou com uma reflexão coletiva. O salto de maturidade do Retail Media brasileiro não virá apenas da tecnologia, mas da estruturação de processos, padronização de métricas e liderança orientada a dados. As marcas que entenderem isso primeiro transformarão seus investimentos em inteligência de negócio e vantagem competitiva.

“Retail Media precisa sair do estágio de mídia de oportunidade e virar mídia de performance. Esse salto depende menos de orçamento e mais de método.” Ricardo Vieira, ABRAMEDIA

RM4Brands — Um movimento pela governança e gestão das marcas

O painel reforçou a missão da ABRAMEDIA de promover maturidade, comparabilidade e governança em Retail Media. Reforçou também a missão da ABRAMEDIA de liderar a criação de padrões, indicadores e fóruns de governança em Retail Media.

O debate das lideranças de Hypera, Kenvue e Seara neste painel mostrou que as marcas estão prontas para evoluir, agora é hora do ecossistema agir com método, dados e liderança.

O painel “Processos e Métricas” se consolidou como um dos momentos mais técnicos do RM4Brands. A discussão trouxe à tona o que será a nova fronteira de maturidade: governança, mensuração e padronização como instrumentos de gestão corporativa.

“O avanço do Retail Media brasileiro será definido por método, não por mídia.” Ricardo Vieira, Presidente da ABRAMEDIA

Cinco Insights do Painel RM4Brands

TópicoInsight Central
Padronização de MétricasO principal gargalo para gestão comparável entre RMNs.
Integração de DadosMídia, audiência e sell-out devem ser conectados em tempo real.
Cultura de GrowthGrowth é a nova ponte entre dados e decisão executiva.
Governança de ProcessosO avanço depende de método, não de orçamento.
Varejo como Parceiro de AprendizadoColaboração e transparência serão o novo diferencial competitivo.
Retail Media News
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