Estudo da YOUPIX em parceria com a Nielsen mostra que 80% dos brasileiros já compraram produtos recomendados por influenciadores e aponta uma mudança estrutural na relação entre conteúdo, confiança e comércio
Durante anos, o marketing de influência foi tratado como uma ferramenta voltada principalmente à construção de marca e geração de awareness. A nova edição da pesquisa “O Efeito da Influência no Consumo 2026”, realizada pela YOUPIX em parceria com a Nielsen, mostra que esse paradigma ficou para trás. A influência digital consolidou-se como um dos principais motores da decisão de compra dos consumidores brasileiros, aproximando definitivamente produção de conteúdo, social commerce e comércio digital.
O levantamento, realizado com mil consumidores brasileiros em maio deste ano, demonstra que a recomendação feita por creators já não representa apenas inspiração, mas um elemento determinante na conversão de vendas. Mais do que medir o impacto dos influenciadores, o estudo ajuda a explicar por que plataformas de comércio, varejistas e Retail Media Networks estão acelerando investimentos em estratégias que unem creators, dados proprietários e mensuração de resultados.
A influência já faz parte da rotina de compra
O dado mais emblemático da pesquisa é que 80% dos entrevistados afirmam já ter comprado produtos recomendados por influenciadores. O percentual evidencia que a influência deixou de representar um comportamento restrito às gerações mais jovens e passou a integrar o processo cotidiano de descoberta e aquisição de produtos.
Mais relevante ainda é observar que sete em cada dez consumidores reconhecem que influenciadores impactam diretamente suas decisões de compra, reforçando que a influência já ocupa um espaço estratégico dentro do funil de conversão das marcas.
Na prática, isso significa que o conteúdo produzido pelos creators deixou de atuar apenas como mídia de topo de funil para se tornar um gatilho efetivo de vendas.
Confiança supera publicidade tradicional
Um dos principais achados do estudo é que o consumidor atribui aos influenciadores um nível de credibilidade superior ao da publicidade convencional. Em vez de campanhas altamente produzidas, cresce a valorização de recomendações percebidas como autênticas, experiências pessoais e demonstrações reais de uso dos produtos.
Essa mudança ajuda a explicar por que as estratégias de Creator Economy vêm ganhando espaço dentro dos investimentos de marketing. A construção de confiança passa a funcionar como um ativo comercial, reduzindo barreiras entre descoberta, consideração e compra.
Segundo a própria pesquisa, a influência acontece muito antes dos indicadores tradicionais de performance aparecerem nos dashboards de mídia, mostrando que grande parte da decisão do consumidor é construída durante o consumo de conteúdo, e não apenas no momento do clique.
Cupons e links transformam conteúdo em canal de vendas
Outro indicador relevante revela que 64% dos consumidores utilizam frequentemente links ou cupons disponibilizados por influenciadores.
Esse comportamento demonstra que o público já incorporou naturalmente mecanismos que conectam entretenimento e transação comercial. Os creators deixam de ser apenas formadores de opinião para atuar como verdadeiros canais de aquisição de clientes, capazes de direcionar tráfego qualificado diretamente para marketplaces, e-commerces e aplicativos de varejo.
Para anunciantes, isso representa uma oportunidade inédita de mensuração, já que cada interação pode ser acompanhada até a conversão utilizando dados de primeira parte e modelos de atribuição mais sofisticados.
TikTok Shop acelera a convergência entre conteúdo e varejo
A pesquisa também evidencia o avanço do social commerce no Brasil. Entre os entrevistados, 56% já realizaram compras por meio do TikTok Shop, enquanto 80% afirmam estar satisfeitos com a experiência de compra na plataforma.
Os números reforçam uma transformação importante: o conteúdo deixa de ser apenas um estímulo para visitar outro ambiente de compra e passa a incorporar a própria experiência de consumo. Essa convergência reduz etapas da jornada tradicional, aproximando descoberta, avaliação e conversão em um único fluxo de navegação.
O impacto para o Retail Media
Embora o estudo esteja centrado na Creator Economy, suas conclusões dialogam diretamente com a evolução do Retail Media. Ao demonstrar que a influência já determina decisões de compra em larga escala, a pesquisa reforça que o próximo passo das Retail Media Networks será integrar creators aos seus ecossistemas de dados, mídia e mensuração.
Nesse cenário, o conteúdo deixa de ser apenas um ativo de branding e passa a compor estratégias completas de Commerce Media, nas quais é possível conectar audiência, comportamento de navegação, exposição às campanhas e vendas efetivamente realizadas.
Essa integração tende a ampliar significativamente a capacidade das marcas de medir incrementalidade, retorno sobre investimento e impacto real sobre categorias e produtos.
Uma nova arquitetura para o Commerce Media
Os resultados da Nielsen e da YOUPIX sugerem que o mercado está entrando em uma nova fase de maturidade, na qual Creator Economy, Social Commerce e Retail Media deixam de operar como disciplinas independentes.
À medida que plataformas de varejo passam a conectar creators aos seus dados proprietários, surgem condições para construir jornadas completas, capazes de acompanhar o consumidor desde a descoberta de um produto até sua recompra.
Mais do que uma mudança na forma de comunicar, trata-se de uma transformação na arquitetura da publicidade digital. A influência passa a ser um ativo mensurável, integrado ao ecossistema de Commerce Media e orientado por indicadores de negócio.
Para marcas e varejistas, a mensagem é clara: a disputa já não está apenas pela audiência, mas pela capacidade de transformar confiança em vendas mensuráveis. É justamente nesse ponto que influência, Retail Media e dados convergem para definir o próximo ciclo da publicidade baseada em comércio.
Análise RM News | Creator Economy passa a integrar a arquitetura do Retail Media
Durante muitos anos, o marketing de influência foi tratado como uma disciplina paralela ao varejo. Enquanto creators construíam comunidades e geravam engajamento, as Retail Media Networks concentravam seus esforços na monetização de inventários digitais, mídia patrocinada e dados de primeira parte. A pesquisa da Nielsen e da YOUPIX mostra que essa separação faz cada vez menos sentido.
Quando 80% dos consumidores afirmam já ter comprado produtos recomendados por influenciadores, 64% pesquisam antes da compra e 58% concluem a aquisição em até uma semana, fica evidente que o creator deixou de representar apenas um canal de awareness para ocupar um papel estruturante na jornada de Commerce Media.
Na prática, os influenciadores passam a funcionar como a porta de entrada de um ecossistema que continua dentro do ambiente do varejo. É ali que entram os ativos mais valiosos das Retail Media Networks: first-party data, histórico de compras, inteligência de categorias, segmentação de audiências e mensuração da conversão.
Isso cria uma oportunidade inédita para o mercado. Em vez de enxergar creators e Retail Media como estratégias independentes, varejistas podem construir soluções integradas nas quais campanhas com influenciadores alimentem audiências proprietárias, sejam potencializadas por mídia on-site e off-site e tenham seus resultados acompanhados até a venda e a recompra.
Mais do que um novo formato de mídia, surge uma nova arquitetura para o Commerce Media. O inventário deixa de ser composto apenas por banners, buscas patrocinadas e telas digitais para incorporar creators, conteúdo e comunidades como ativos comerciais mensuráveis.
As RMNs que conseguirem conectar influência, dados proprietários e atribuição omnichannel estarão em posição privilegiada para oferecer às marcas algo que nenhuma plataforma isolada consegue entregar: a capacidade de transformar confiança em vendas comprovadas por dados. Essa pode ser uma das evoluções mais relevantes do Retail Media nos próximos anos, aproximando definitivamente Creator Economy, Social Commerce e mídia de varejo em um único ecossistema de crescimento.
