IA e Retail Media: risco ou oportunidade? O futuro depende de como o varejo reage agora

A inteligência artificial já reconfigurou o que entendemos como publicidade digital: segmentação, criação, busca, atendimento, performance. E agora chegou a vez do retail media.

Um estudo da Forrester sobre tendências para 2026 mostra um ponto de atenção para os varejistas: a possibilidade de compras feitas dentro de plataformas de IA, como ChatGPT, Gemini e Perplexity, reduzir em cerca de 20% a receita publicitária dos programas de retail media.

E o motivo não é queda de vendas. É mudança de jornada.

Quando a compra acontece em outro ambiente, o varejo perde oportunidades valiosas

No agentic commerce (como este novo canal está sendo chamado), o consumidor pergunta, compara e finaliza a compra direto na plataforma de IA. Ele não passa pela navegação natural do e-commerce do varejista. E quando isso acontece, o varejo perde um elemento-chave do retail media: as oportunidades de upsell, cross-sell e exposição à oferta complementar.

É isso, e apenas isso, que a Forrester sinaliza como impacto negativo imediato. O varejista continua recebendo a venda, mas perde superfícies importantes de influência dentro do seu ambiente.

Por outro lado, a IA também pode ser uma nova avenida de crescimento off-site

A mesma previsão aponta um caminho claro: se a jornada migra, o varejo deve migrar junto.
As plataformas de IA se tornam novos canais de off-site, nos quais os varejistas podem e devem ativar mídia em parceria com as marcas. Exatamente como já fazem hoje em nas redes sociais da Meta, por exemplo.

Essa expansão não é um detalhe técnico: ela redefine o papel dos varejistas como pontes de dados entre marcas e consumidores, independentemente de onde a interação acontece. A IA não precisa tirar espaço do varejo. Ela pode ampliar.

E é aqui que entra a mensuração, não como problema, mas como vantagem competitiva

Se parte da influência deixa de acontecer no site, o varejo precisará demonstrar valor também nas jornadas externas. E isso inclui:

  • entender quais interações na IA levam à compra,
  • integrar dados primários com ambientes que não são seus,
  • deduplicar resultados entre on-site e off-site,
  • comprovar incrementabilidade mesmo sem a navegação tradicional.

Ou seja: além da perda das oportunidades de upsell e cross-sell, a IA aumenta a exigência por mensuração mais sofisticada. E quem dominar essa costura terá vantagem, porque será capaz de provar influência onde o concorrente só enxerga opacidade.

Conclusão e uma escolha clara

A IA vai impactar o retail media, mas quem decide se isso gera perda ou ganho é o varejo.

Os varejistas que reagirem de forma defensiva vão enxergar apenas a redução das oportunidades internas e sentir o efeito na receita publicitária. Já aqueles que se moverem para ocupar a IA como novo território off-site e que tiverem capacidade de medir influência dentro e fora do seu ambiente, vão expandir presença, relevância e monetização.

No fim, o futuro da retail media não será decidido pela IA.

Thaissa Gentil
Thaissa Gentil
Head of Brand Sales Latam da LiveRamp. Com mais de 14 anos de experiência em monetização de dados, publicidade digital e no varejo, a executiva tem a missão de ativar o ecossistema de publicidade em todas as suas vertentes, com foco na colaboração de dados e commerce media, desenvolvendo o negócio LiveRamp no Brasil e na América Latina. Antes de ingressar na LiveRamp, Thaissa atuou no Rappi, na Johnson & Johnson e na Kimberly-Clark, entre outras empresas.

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