Retail Media não é uma linha de receita, é uma mudança de cultura

Se você ainda acha que Retail Media é só uma forma nova de monetizar o varejo, talvez esteja vendo a ponta do iceberg. Sim, ele gera receita incremental. Sim, ele pode representar 30% do lucro líquido da empreesa com apenas 1% do faturamento bruto. Mas não é sobre isso. Ou, pelo menos, não só.

O varejo luta há décadas com margens baixíssimas. O lucro líquido da maioria dos grandes grupos é pressionado. Quando se descobre que uma parte relevante desse lucro pode vir de uma nova frente como o Retail Media, a primeira reação é ver nisso uma linha de receita. E tudo bem. Mas a grande virada acontece quando se percebe que o Retail Media muda o jeito de pensar da empresa. Ele transforma cultura.

Com o apoio do board, as áreas passam a atuar de forma diferente. O comercial, por exemplo, percebe que pode manter 100% da verba de gerada pelo sell-in para recomposição de margem e, ao mesmo tempo, provocar o marketing da indústria a investir verba nova em campanhas orientadas por dados. Resultado: preço mais competitivo, comunicação mais eficaz e venda estourada.

Mais do que isso, cada área passa a enxergar que pode gerar leads para o Retail Media. Serviços, abastecimento, CRM, e-commerce e outras áreas passam a trazer ideias de como ativar clientes e campanhas. Isso gira produto, ativa consumidores, gera fidelização e, no fim, melhora a saúde do negócio.

Cinco motivos que mostram que Retail Media é mudança de cultura:

  1. Integra as áreas da empresa: não é um time isolado vendendo mídia, é uma operação que exige colaboração de comercial, tecnologia, marketing, dados, CRM, pricing e logística.
  2. Gera valor para todos os lados: cliente compra melhor, indústria ganha resultado, varejo fideliza e aumenta margem.
  3. Alinha estratégia com execução: campanhas passam a nascer de necessidades reais do negócio, ativando produtos certos, para públicos certos.
  4. Cria protagonismo interno: colaboradores se sentem parte da construção, trazendo ideias e oportunidades que viram plano de mídia.
  5. Impulsiona inovação e velocidade: ao integrar dados, comunicação e execução, o varejo atua com mais precisão e velocidade no mercado.

Eu vivi essa mudança. No início, era sobre gerar receita. Depois, passou a ser sobre gerar impacto. Quando o Retail Media é só uma meta de arrecadação, ele vira um canal de verba. Quando ele vira uma estratégia de negócio, ele vira cultura.

E cultura não se mede só por ROAS. Se mede por comportamento. Por como as áreas se relacionam. Por como o cliente sente a diferença.

Retail Media é, sim, uma nova linha de receita. Mas só se for também uma nova linha de pensamento.

Carlos Lacerda
Carlos Lacerdahttp://www.digitalstoremedia.com.br
Carlos Lacerda é mestre em Gestão da Competitividade pela FGV-EAESP e MBA em Marketing pela FIA. Atuou por mais de 20 anos no varejo, com passagens por redes como Fast Shop, Pague Menos e Extrafarma, liderando áreas de marketing, CRM, digital e category management. Foi responsável pela criação e estruturação da área de Retail Media na Pague Menos, onde atuou como diretor da vertical. É sócio da DSM, Digital Store Media, consultoria especializada em soluções estratégicas para Retail Media, que apoia varejistas, marcas e agências na estruturação, monetização e aceleração desse canal. Vice-presidente da Abramedia, é também professor convidado em programas executivos e colunista parceiro do portal Retail Media News.

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