A nova fronteira da Retail Media está dentro da loja
A parceria entre Kroger Precision Marketing e Barrows Connected Store representa um dos movimentos mais relevantes da Retail Media global: a transformação do ponto físico de venda em uma plataforma digital, mensurável e integrada ao funil de mídia.
O projeto não se limita à instalação de telas digitais. A estratégia é muito mais sofisticada. Kroger e Barrows estão construindo uma infraestrutura de In-Store Media nativa ao ambiente da loja, orientada pela jornada do shopper, conectada a dados de compra e desenhada para permitir que marcas mensurem não apenas exposição, mas impacto real em comportamento, conversão e vendas.
A diferença central está no desenho do projeto. Não se trata de “pendurar TVs” em corredores. Trata-se de criar touchpoints digitais integrados a fixtures, endcaps, áreas de categoria e pontos de decisão, com tecnologia de execução, controle de campanha e mensuração conectada à capacidade analítica da Kroger Precision Marketing e da 84.51° Retail Data Science, Insights and Media.
A estratégia: mídia como extensão da experiência de compra
A Kroger identificou a loja física como uma das plataformas mais subutilizadas para storytelling de marca. A partir dessa visão, a Barrows entra como parceira de design, hardware, software e operação de touchpoints digitais.
O racional estratégico combina cinco camadas:
Design nativo ao ambiente: As telas não são pensadas como publicidade externa dentro da loja, mas como parte da arquitetura do varejo. O objetivo é evitar ruído, poluição visual e interrupção da jornada.
Inventário conectado ao momento de decisão: Os formatos são posicionados em áreas de alto valor comercial, como endcaps, corredores, categorias e pontos de maior influência na decisão de compra.
Conteúdo contextual: A ativação permite mensagens dinâmicas, animações, receitas, sugestões de uso, lançamentos, ofertas e conteúdos educativos próximos ao produto.
Execução tecnológica centralizada: A Barrows fornece a camada de plataforma para gestão, distribuição, monitoramento e operação da rede digital em loja.
Mensuração de negócio: A Kroger conecta exposição de mídia aos dados de venda, permitindo análises de uplift, ROAS, penetração domiciliar, incremento de categoria e mudança de comportamento.

O desafio do inventário: jornada antes da tela
O maior erro em In-Store Media é começar pelo hardware. Kroger e Barrows adotam uma lógica oposta: primeiro a jornada, depois o inventário.
A pergunta central não é “onde cabe uma tela?”, mas em qual momento da jornada a comunicação pode ajudar o shopper a decidir melhor, descobrir um produto ou converter uma intenção latente em compra?
Essa lógica muda completamente o planejamento. Uma tela na entrada da loja pode gerar alcance, mas nem sempre gera decisão. Uma tela no corredor pode gerar atenção, mas nem sempre influencia categoria. Um endcap digital, por outro lado, pode combinar visibilidade, proximidade do produto, estímulo visual e conversão imediata.
Por isso, o inventário precisa ser classificado por função de jornada:
- Entrada da loja: awareness, sazonalidade, campanhas institucionais.
- Corredores principais: descoberta, navegação e consideração.
- Endcaps: influência direta, lançamento, trial e conversão.
- Categorias específicas: educação, comparação e decisão.
- Checkout: reforço, recorrência, lembrete e incentivo final.
A sofisticação está em entender que cada ponto físico tem um papel diferente no funil.
Por que endcaps são tão estratégicos
No varejo alimentar, o endcap é uma das áreas mais valiosas da loja. Ele está no cruzamento entre fluxo, visibilidade e proximidade com a decisão. Ao digitalizar esse espaço, Kroger e Barrows ampliam três capacidades que a exposição física tradicional não entrega com a mesma flexibilidade:
- Troca dinâmica de campanhas
- Mensagens diferentes por categoria, loja, região ou período
- Mensuração de exposição, atenção e venda associada
Isso transforma um ativo historicamente negociado por trade marketing em inventário de Retail Media mensurável. Na prática, o endcap deixa de ser apenas um ponto promocional e passa a ser um formato de mídia com lógica de audiência, frequência, contexto e atribuição.

A inteligência do projeto: dados 1P, design físico e ad tech
A inteligência da parceria nasce da combinação entre três competências essenciais:
A Kroger entra com escala, dados de compra e capacidade de mensuração. A 84.51° fornece a camada de data science, audiências, insights e closed-loop. A Barrows entrega a infraestrutura física e tecnológica para operar a mídia dentro da loja.
Essa combinação cria um modelo difícil de replicar por players tradicionais de OOH.
O OOH mede circulação.
O DOOH mede impressão estimada.
O In-Store Media precisa medir comportamento de compra.
Essa diferença é estrutural. No caso Kroger-Barrows, a mídia em loja pode ser combinada com:
- dados de loyalty
- histórico de compras
- segmentação por categoria
- leitura de sell-out
- comparação entre lojas expostas e lojas controle
- comportamento pré e pós-campanha
- análise de incrementalidade.
É isso que aproxima In-Store Media de Retail Media de verdade.
Tecnologias de mensuração: da exposição ao comportamento
A mensuração de In-Store Media precisa avançar em quatro dimensões.
Retenção
Retenção não é apenas tempo de tela ligada. É a capacidade de manter o shopper exposto à mensagem em um ponto relevante da jornada.
Indicadores possíveis:
- dwell time na área
- tempo médio de permanência no corredor
- recorrência de exposição
- frequência por loja
- taxa de permanência em áreas de categoria
- comparação de fluxo antes e depois da ativação
Sensores, computer vision, analytics de tráfego e dados de rede podem ajudar a entender se a ativação gerou retenção real ou apenas impressão passiva.
Engajamento
Engajamento mede se a peça provocou resposta comportamental.
Indicadores possíveis:
- aproximação do shopper
- interação com tela sensível ao toque
- leitura de QR Code
- retirada de cupom
- busca pelo produto
- aumento de dwell time
- mudança no fluxo para a gôndola
- engajamento com conteúdo de receita, tutorial ou benefício
Aqui, a Barrows tem um papel importante porque sua proposta inclui sensores, touchpoints interativos, gamificação e plataforma de operação conectada.
Conversão
Conversão é o ponto em que In-Store Media se diferencia do DOOH. O KPI central não deve ser apenas impressão, mas venda incremental.
Indicadores possíveis:
- uplift de vendas
- unidades vendidas
- sell-out incremental
- ROAS
- iROAS
- ticket médio
- anexação de produtos
- crescimento de share na categoria
- penetração em novos lares
- recompra pós-campanha
A Kroger possui vantagem competitiva porque sua operação de Retail Media é conectada aos dados de compra e à mensuração de vendas da 84.51°.
Mudança de comportamento
A camada mais sofisticada é medir se a campanha alterou o padrão de compra. Isso inclui:
- shopper que comprava concorrente e migrou para a marca
- shopper que comprava uma versão menor e passou para pack maior
- shopper que não comprava a categoria e passou a comprar
- shopper que comprou uma vez e repetiu
- aumento de frequência
- aumento de cesta
- efeito halo em produtos complementares
Essa é a fronteira mais estratégica da Retail Media: provar que a mídia não apenas comunicou, mas mudou comportamento.

O modelo de mensuração mais robusto: loja exposta versus loja controle
Para sustentar credibilidade junto às marcas, o modelo mais adequado é combinar métricas operacionais com metodologia experimental. A arquitetura ideal inclui:
- grupo de lojas expostas
- grupo de lojas controle
- pareamento por perfil de loja, região, fluxo, categoria e histórico de vendas
- análise pré e pós-campanha
- controle de sazonalidade
- leitura de vendas incrementais
- cálculo de ROAS e iROAS
- análise por cluster de shopper
Esse modelo é muito mais consistente do que simplesmente correlacionar campanha com aumento de venda. Ele permite responder à pergunta que realmente importa:
quanto da venda teria acontecido sem a mídia?
O desafio criativo: conteúdo feito para o corredor
Outro ponto crítico da parceria é a adaptação criativa. Campanhas de TV, social ou e-commerce não funcionam automaticamente em loja física. O shopper está andando, comparando preços, avaliando categorias, conduzindo carrinho, lidando com tempo e orçamento. O conteúdo precisa ser: curto, visual, contextual, útil, não invasivo, aderente à categoria, próximo ao produto e orientado à decisão.
A Barrows tem defendido justamente essa lógica: conteúdo pensado para o ambiente físico, e não apenas reaproveitado de outros canais. A criatividade em In-Store Media precisa partir da missão de compra.
Uma campanha de cereal no corredor matinal pode trabalhar rotina e família. Uma campanha de beleza pode trabalhar demonstração e benefício. Uma campanha de snacks pode explorar ocasião de consumo, combinação e impulso.
O papel da Kroger Precision Marketing
A Kroger Precision Marketing é a camada que transforma o projeto em Retail Media, e não apenas em digital signage. Sua força está em três ativos: dados proprietários, capacidade de segmentação e mensuração de venda.
Com a unificação de retail media, insights e loyalty marketing sob uma estrutura integrada, a Kroger reforça sua ambição de entregar às marcas não apenas mídia, mas inteligência comercial.
Isso permite conectar mídia em loja a decisões de: sortimento, promoção, categoria, CRM, incentivo, ativação omnichannel e planejamento de crescimento. A mídia deixa de ser um produto isolado e passa a fazer parte de uma estratégia comercial mais ampla.

O papel da Barrows
A Barrows atua como arquiteta da camada física e tecnológica da experiência. Sua contribuição não está apenas na tela, mas na integração entre:
- design de loja
- engenharia de fixtures
- hardware
- software
- sensores
- plataforma de gestão
- operação de rede
- execução criativa
- escalabilidade.
Essa combinação é decisiva porque In-Store Media exige algo que o digital puro não enfrenta: a complexidade operacional da loja física. É preciso instalar sem atrapalhar operação, garantir manutenção, evitar fricção com o shopper, respeitar planograma, integrar merchandising e criar valor para marcas e varejista.
Por que esse projeto importa para o mercado
A parceria Kroger-Barrows aponta para uma nova fase da Retail Media. A primeira fase foi dominada por search e display no e-commerce. A segunda avançou para off-site, CTV e social com dados 1P. A terceira será decidida dentro da loja física.
E essa fase será mais difícil, porque a loja exige integração entre mídia, trade, categoria, shopper marketing, operações, dados, tecnologia, arquitetura e mensuração. Não basta vender tela. Não basta vender fluxo. Não basta vender impressão. O mercado exigirá prova de atenção, prova de influência e prova de venda incremental.
In-Store Media precisa nascer como Retail Media, não como DOOH
O projeto Kroger-Barrows mostra que a maturidade do In-Store Media depende de uma mudança de mentalidade. A loja física não pode ser tratada como uma extensão do OOH. Ela é um ambiente transacional, comportamental e decisório.
Por isso, o inventário precisa ser desenhado a partir da jornada do shopper. A tecnologia precisa medir retenção, engajamento e conversão. A operação precisa conectar exposição com venda. E a narrativa comercial precisa provar mudança de comportamento.
Esse é o verdadeiro salto, quando a mídia em loja passa a ser planejada, executada e mensurada com dados de compra, ela deixa de ser sinalização digital. Ela se torna infraestrutura estratégica de Retail Media.
